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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Benzeduras

Se o Catimbó segue um ritual mais ou menos complexo, existem benzedores e raizeiros, espalhados por todo o país, que utilizam apenas um conhecimento empírico sobre as ervas medicinais e a capacidade de usar sua intuição e força interior.
Na melhor tradição dos curandeiros e curandeiras populares, os benzedores aprendem essa habilidade com seus pais e mães. Com sua sabedoria simples, mas eficiente, são o grande recurso de saúde das populações pobres do sertão, além de serem os terapeutas psicossomáticos dos grupos que não têm acesso à psicoterapia convencional.
O curador costuma acumular três habilidades: é raizeiro, pois sabe preparar remédios com ervas medicinais que ele mesmo colhe no mato; é rezador, pois sabe as orações e simpatias para prevenir e resolver vários problemas; é benzedor, pois sabe benzer fazendo sinais-da-cruz com ramos de ervas sobre o corpo da pessoa, enquanto repete uma oração (benzedura).
Dependendo da região do país e da tradição oral da família, cada curador tem suas receitas de simpatias; suas fórmulas de benzedura e suas orações.
Os problemas mais tratados pelos benzedores são o mau-olhado, os ferimentos, as infecções e os envenenamentos, as dores, a espinhela caída, os males das vísceras e a proteção na gravidez, nos negócios e também nas viagens, bem como a cura de vários males manifestados em crianças.

Pontos Cantados e Riscados

Os pontos são os procedimentos rituais que atraem os Orixás e Encantados para os momentos do culto. Os pontos cantados são os cantos rituais, o chamado verbal. No Candomblé, conservam as línguas africanas e o toque dos atabaques no ritmo característico de cada Orixá, Inkice ou Vodun; na Umbanda, são cantados em português e seu ritmo é mais lento e uniforme. O Catimbó e a Pajelança etc. também usam cantos e danças rituais para provocar o transe e o contato com os Encantados. O ponto cantado corresponde à oração do Catolicismo e ao mantra do Hinduísmo, tendo, até mesmo, semelhanças com estas orações quanto ao que dizem sobre as divindades e como os fiéis as vêem. 
Os pontos riscados são desenhos que concentram a força mágica das entidades. Contêm diversos símbolos que descrevem a natureza da entidade a que pertencem e devem ser feitos com materiais consagrados, na situação de culto, para ter força. São ensinados pelas próprias entidades, geralmente na Umbanda.
 
Designer Paula Ramanzini