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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Efó

Um molho de bertalha, um punhado de camarão seco, cebola, alho, sal, pimenta, azeite de dendê. Ferventar a bertalha em água e sal. Escorrer e picar até formar uma pasta. Refogar os temperos com o camarão socado. Juntar a bertalha. Servir com sarapatel.
Este efó e também o sarapatel, são oferendas de Nanã Buruquê.

Sarapatel

Trezentos gramas de miúdos de porco misturados (fressura), meia xícara de sangue de porco, suco de limão, cebola, alho, louro, pimenta, sal, azeite-de-dendê.
Picar os miúdos e temperar com limão. Refogar os temperos, juntar os miúdos e cozinhar. No fim, aferventar o sangue e esfarelar por cima. Servir com efó.

Padê de Exu

Uma xícara de farinha de mandioca, uma colher (sopa) de azeite-de-dendê, sal, cebola, camarões secos (opcional).
Aquecer o azeite. Refogar a cebola e os camarões. Juntar a farinha e o sal (se precisar mais) e deixar dourar. Servir com bifes.

sábado, 16 de agosto de 2008

Ebós: Alimentos para os Orixás

O alimento oferecido aos Orixás não pode ser preparado como a comida comum. Como em todas as outras formas de magia, a cozinha dos Santos é um espaço mágico e o preparo dos alimentos, um momento de ritual. Mesmo usando a cozinha da nossa casa, o ritual precisa ser respeitado, para que nossa mente esteja sintonizada com as forças com que desejamos comungar; porque, na verdade, como ocorre em todas as religiões, em todos os tempos e lugares, a Comida do Santo é um Banquete de Comunhão entre o fiel e o Orixá.
Os utensílios destinados à preparação desses alimentos devem, de preferência, ter exclusivamente este uso. São tradicionalmente usadas as panelas de ferro ou esmalte e as tigelas de barro vidrado. Os ingredientes e temperos também devem ser consagrados especificamente à Comida do Santo e guardados separados dos alimentos comuns.
Antes de preparar o alimento, você deve tomar um banho de descarga, vestindo, em seguida, roupas limpas e próprias para a situação; podem ser as roupas brancas da Umbanda ou roupas de seu Orixá. Num lugar alto e seguro em casa, acenda velas para Oxalá e para seu Orixá (na Umbanda, para seu anjo da guarda) para que tudo corra bem. Especialmente na Umbanda, usa-se um copo com água junto às velas, para absorver energias negativas; ao fim do trabalho, quando as velas terminarem de queimar, essa água deve ser despejada na pia, junto com a água corrente, com um pedido para que os males se afastem. Um defumador com aroma adequado ao Orixá a ser homenageado e até algum enfeite no ambiente (flores ou música, por exemplo) ajudam a criar um clima próprio ao encantamento.
Depois de tudo preparado, sente-se por um momento, feche os olhos, relaxe e concentre-se no motivo pelo qual quer fazer o agrado ao Orixá. Entre em contato com ele, com uma cantiga ou uma oração, e faça seu pedido. Quando sentir que está no estado de consciência adequado, comece a preparar o alimento.
Existem dois destinos possíveis para a Comida de Santo. Quando a pessoa faz um Ebó, ou oferenda exclusivamente destinada a alimentar o Orixá (o que só deve ser feito sob a orientação de uma pessoa entendida e experiente no culto), a porção de alimento é muitas vezes preparada de modo incomum (não cozida, sem sal, sem açúcar, sem gordura, etc.) e toda ela é colocada no local próprio onde o Orixá recebe seus presentes, com todos os acessórios indicados pelo responsável do culto.
Outras vezes, como nos dias de festa dos Orixás ou no culto privado, o objetivo é realizar um banquete de comunhão com o Santo. Aliás, na velha magia européia, essa é a forma habitual de fazer um encantamento: prepara-se uma comida consagrada à divindade a que se fez o pedido e faz-se com ela uma refeição compartilhada à divindade a que se fez o pedido e faz-se com ela uma refeição compartilhada pelas pessoas interessadas. Neste caso, os alimentos são preparados com os ingredientes e técnicas da culinária comum. Uma pequena porção é retirada e colocada no altar doméstico onde fica a imagem ou fetiche do Orixá ou no local externo onde ele recebe oferendas. Depois disso, o restante é servido como uma refeição festiva, numa mesa decorada de modo adequado ao Orixá homenageado.
Para fazer este tipo de oferenda, procure aprender as normas que devem ser seguidas. Mas se você cometer um pequeno erro, não tenha medo: para os Orixás, que lêem nossos corações, o que vale é a intenção. 

Oferendas para os Orixás

As oferendas para os Orixás têm duas finalidades: fazer um agrado ou agradecer um pedido satisfeito. Da mesma forma como os pedidos devem ser feitos ao Orixá que lida com cada tipo de problema, as oferendas também devem ser adequadas a cada divindade.
Algumas normas gerais devem ser seguidas. Para começar, nunca jogue os objetos de qualquer jeito: o presente deve ser arrumado de forma bonita, mesmo que com materiais baratos, como pedaços de papel colorido em vez de toalhas de pano. Dê o presente seguindo as mesmas normas de cortesia que usaria para servir a uma pessoa comum: abra a garrafa e sirva a bebida no copo, acenda os cigarros e as velas, deixe caixas e outros recipientes abertos, arrume pratos e flores numa disposição agradável. Mesmo que você dê uma oferenda plenamente reciclável pela natureza (o que seria o ideal), isso pode ser feito de modo cortês. Neste caso, não deixe embalagens ou recipientes no local; dê um presente de flores ou frutos bem discretos, arrumados sobre folhagem, e derrame a bebida formando um círculo ao redor. E lembre-se: Orixá não gosta de lixo. Ao sair do lugar onde fez a oferenda, deixe-o o mais limpo possível.
Estes são presentes simples, que qualquer devoto pode oferecer. Oferendas mais ligadas aos segredos do culto religioso, como ervas secretas que guardam o axé (força mágica) dos Orixás, só são aprendidas pelos iniciados e só devem ser manipuladas pelos que adquiriram a sabedoria e a experiência necessária.
 
Designer Paula Ramanzini